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O Código Da Vinci e as polêmicas envolvendo o Opus Dei

dezembro 19, 2017
O bestseller mundial de Dan Brown lançado em 2005, O Código da Vinci, levantou diversas polêmicas sobre a Igreja Católica, principalmente a respeito da Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei. O livro, que no ano seguinte virou filme, ganhou atenção por não deixar claro a ficção e a verdade, gerando críticas de membros da Igreja por produzir uma imagem distorcida da Prelazia para o grande público. 
As polêmicas levantadas com o livro e o filme voltou à atenção do público e da mídia para o Opus Dei. Como o caso do jornalista português Rui Pedro Antunes, que publicou o livro “Opus Dei: eles estão entre nós”. Rui procura expor certas práticas como os supostos castigos físicos, as ideologias políticas e a desvalorização da mulher que, segundo ele, são impostas aos chamados numerários (nomenclatura dos membros da Prelazia). 
O livro de Rui faz um apanhado das principais críticas sofridas pelo Opus Dei, para isso ele utiliza testemunhos de ex-membros, em sua maioria de forma anônima, como forma de exemplificação. A investigação procura revelar, o que o autor chama de obscuridade da Prelazia, que por vezes é comparado a maçonaria.

O tratamento da mulher 
No Opus Dei não existem diferentes categorias de membros, mas modos diversos de viver uma mesma vocação de acordo com as circunstâncias pessoais de cada um. Uma dessas formas é através da dedicação integral e celibatária, ou seja, membros que escolhem permanecer solteiros e morar nos Centros do Opus Dei disponíveis aos trabalhos apostólicos e para a  formação dos demais fiéis. Esses são os chamados numerários. 
No caso das mulheres, o seu trabalho consiste em cuidar de serviços domésticos como a limpeza e o preparo das refeições. De acordo com Rui esse “é um trabalho inferior e as mulheres se tornam verdadeiras empregadas dos homens que mandam na Prelazia”. 
O assessor de imprensa do Opus Dei no Brasil, Roberto Zanin, explica que essa diferença de funções é fruto da vontade que o fundador tinha de ter um ambiente familiar. “São Josemaria Escrivá não queria que o Opus Dei fosse como um quartel comandado apenas por homens e nem como um convento comandado apenas por mulheres. Então, para que tenhamos um ambiente familiar, foram criadas essas formas de vivência do carisma da Prelazia”.
Essas formas de vivência são chamadas de vocações, conceito esse muito utilizado pela Igreja que significa o modo que cada indivíduo é chamado a viver levando em conta suas características e a vontade de Deus. “Todo aquele que pretende se tornar membro do Opus Dei passa por um período de discernimento vocacional, no qual ele é acompanhado por um diretor espiritual e participa de cursos para conhecer a Prelazia a fundo antes de tomar uma decisão, por isso toda mulher que escolhe ser uma numerária auxiliar fez isso por ter certeza que essa é sua vocação”, afirma Roberto. 
Os castigos corporais
Um dos pontos mais polêmicos do filme O Código da Vinci retrata o vilão, um suposto monge do Opus Dei, auto flagelando-se com um chicote. A cena repleta de sangue deixa a dúvida do que é real e do que é ficção. De acordo com Rui, a cena retratada no filme é bem comum dentro dos muros do Opus Dei, como dizia o próprio fundador em seu livro Caminho (208): “Bendita seja a dor. Bendita seja a dor, santificada seja a dor… Glorificada seja a dor!” 
As práticas corporais são comuns nas principais religiões ao redor do mundo. Geralmente essas são aplicadas como ritos de iniciação, como na circuncisão dos judeus, ou como forma de buscar o autocontrole e a aproximação de Deus, como no caso do catolicismo onde os fiéis buscam unir o incomodo das mortificações ao sacrifício de Cristo na cruz. 
“No Opus Dei, os numerários têm incluído na sua rotina de oração o uso do cilício – corrente de ferro para prender ao corpo - por duas horas ao dia e são feitas algumas orações com uso de chicotes de borracha. Entretanto, a diferença entre essas práticas e o filme é que nenhuma delas gera feridas, mas somente incomodam”, afirma Roberto.
A Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II condena veementemente toda prática de auto flagelação. No entanto, alguns fiéis radicais permanecem com essas práticas, como o caso dos rituais feitos por alguns fiéis durante a Semana Santa no vilarejo de San Matias nas Filipinas. Entre as práticas estão a crucificação de fiéis e o corte do próprio corpo.  
Outras práticas de renúncia são defendidas pela Igreja, como a mortificação e a ascese. A mortificação consiste na privação de algum conforto ou de algum prazer alimentar como forma de oferecer a Deus, já a ascese é alguma prática física com o mesmo objetivo, como, por exemplo, tomar banho gelado ou rezar de joelhos.  
“Nós somos criticados por uma prática que é comum a todas as religiões e a toda Igreja Católica. Grandes homens do nosso tempo como São João Paulo II e São Pio de Pieltrelcina faziam uso do cilício e de mortificações do tato. As pessoas ficam impactadas ao saber disso pois não sabem lidar com a dor e se esquecem de todo o sofrimento de Cristo na Cruz”, afirma Roberto. 

Experiência 
Juliana Trindade é estudante de Engenharia Química da Universidade de São Paulo e numerária do Opus Dei há três anos. Ela conheceu a Prelazia através de uma amiga que lhe apresentou uma moradia universitária, quando ela ainda estudava na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. 
“Eu me encantei pelo ambiente alegre de família e pela coerência das pessoas. Na residência fiz grandes amizades e conheci pessoas incríveis que tinham como centro da sua vida Jesus Cristo. Eu me entreguei a Deus no Opus Dei porque quis. Na Obra nunca me impuseram nada, sempre fui e sou livre para tomar as minhas decisões”, conta Juliana. 
Apesar de ter assistido O Código Da Vinci antes de conhecer a Prelazia, Juliana diz não ter associado à obra de Dan Brown a algo real, pois, segundo ela, o que é passado ali é nitidamente um absurdo. “Talvez o filme tenha de fato influenciado a imagem da Obra, mas qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que não passa de uma ficção”, afirma. 
Já Roberto acredita que a obra de Dan Brown não é de todo negativo para a imagem da Prelazia. “No início O Código Da Vinci foi bem prejudicial para a Prelazia, mas hoje percebemos que muitas pessoas que participam conosco vieram devido a curiosidade que o filme e o livro geraram. Para aqueles que vieram nos conhecer foi bom para que percebessem que nós não temos nada de secreto, mas somos sim bem discretos, pois nosso carisma está na santificação diária. E também puderam descobrir que o Opus Dei não tem monges como no filme”, conta enquanto ri.   


Por Vicente Alves

Genderless: Tendência passageira ou modo de vida?

novembro 23, 2017

Muito se discute questões de gênero em debates atuais, mas o que é o gênero? Seguindo um conceito bem simples de Raewyn Connel e Rebecca Pearse, retirado do livro Gênero – Uma Perspectiva Global, “de maneira geral, gênero diz respeito ao jeito com que as sociedades humanas lidam com os corpos humanos e sua continuidade e com as consequências desse ‘lidar’ para nossas vidas pessoais e nosso destino coletivo”.

Diferente do que muitos pensam gênero não está ligado à sexualidade. São questões relacionadas, mas são diferentes por esta se tratar de como você se enxerga, seu corpo, independente da sua orientação sexual.

Sendo assim, a moda traz uma reflexão sobre o gênero, o que é dito como roupas e cores femininas e masculinas, abrangendo um novo olhar sobre essa questão que parece polêmica, mas deveria ser algo bem simples de se entender e conviver.


Coco Chanel revolucionou o mundo da moda nos anos 1920, libertando as mulheres dos espartilhos apertados e saias volumosas e inserindo em seus armários ternos, calças e roupas que antes eram apenas usadas por homens. Enxergando muito além de seu tempo, em um clima pós-guerra, deu inspiração a milhares de artistas e designers que seguiram os seus caminhos dali em diante. 

Grandes marcas como Louis Vuitton, que em 2016 fez uma campanha com o modelo e ator Jaden Smith, filho de Will Smith, levantaram diversos debates nesse cenário: o que é roupa de homem e o que é roupa de mulher? Dezenas de outras marcas famosas, como a Gucci, Armani e Prada também entraram na onda do genderless, e apostaram em desfiles com modelos transgêneros, usando roupas que eram difíceis de identificar se eram “de homem” ou “de mulher”. 

No Brasil, uma campanha que chamou bastante atenção foi a da C&A. Com o tema “Misture, ouse, divirta-se”, modelos seminus corriam e vestiam roupas, independentes se eram masculinas ou femininas. Essa campanha causou bastante discussão, seja por parte de pessoas que enxergam essas mudanças de forma positiva, quanto de pessoas mais conservadoras que dizem que essas questões são “erradas”.

Kaique Hermínio tem 21 anos e é estudante de Pedagogia na UFJF, e usa roupas masculinas e femininas, numa mistura fashion, que torna suas roupas únicas. Apesar de sua militância e desconstrução, no início não foi tão fácil assim: “Sempre sofri muito preconceito por isso. A sociedade brasileira não está preparada para entender que roupa é simplesmente roupa, não dá pra ficar classificando roupas como de mulher ou de homem. Usa quem quer a peça que quiser” – desabafa.

Muitos dos que escolhem essa desconstrução de gênero também sofrem preconceito em casa, por diversas vezes a tendência começar desde a infância em querer usar roupas consideradas de meninas. “Meus pais me castigavam quando viam eu experimentar alguma roupa considerada feminina, já fiquei de castigo algumas vezes quando pequeno por conta disso, mas hoje em dia as coisas estão mais tranquilas e depois de muito diálogo minha mãe já consegue desconstruir esses conceitos de binarismo de gênero (classificação do sexo em duas formas distintas, homem e mulher)”. 

Existem muitos artistas que levam a representação do agênero (a quebra dos padrões do que é considerado coisa de homem e de mulher) consigo, e criam um cenário de maior visibilidade para esse conceito, e essa nova fase tanto da moda, quanto do mundo. Mas já nos anos 1980, David Bowie e Prince já apostavam em visuais que transcendiam o gênero. 
No Brasil, artistas como Ney Matogrosso, Liniker, Jaloo, Johnny Hooker e muitos outros intérpretes do MPB e do mundo da moda, levam muito bem essa representação do agênero em todos os lugares onde passam. 

“Acho que todos nós temos referências, eu tenho sim algumas referências, porém, não acho que tenham sido elas as responsáveis por essa atitude minha. Acho que essas referências tiveram um papel na exteriorização pública disso... querendo ou não, com essa mídia e exposição de várias pessoas que de forma política ou não tentam romper com esses padrões nos diversos espaços, os olhos da sociedade passam a normalizar mais essas questões” conta Kaique. 

A moda se renova a cada momento e traz tendências, que cada vez mais, chegam como formas de manifestação. Além de um simples vestir, moda também é comunicação, identificação e seu modo de se impor no mundo para trazer o novo e transformar a sociedade.

Aquecimento Global: Verdade ou Mito?

novembro 11, 2017

O aquecimento global é definido como um processo do aumento das temperaturas médias nos oceanos e atmosfera. A sua principal causa seria o desenvolvimento acelerado da sociedade, que acaba gerando altíssimos índices de queima de combustíveis fósseis para obtenção de energia, além de outras atividades humanas que também ocasionam a emissão de gases de efeito estufa (GEE).

O efeito estufa é um fenômeno natural e fundamental para a vida. Basicamente, é a capacidade que o nosso planeta possui de reter calor, como se fosse uma estufa de cultivo de plantas. Numa estufa, a luz solar atravessa seu telhado e paredes, mas grande parte do calor fica retido ali dentro, favorecendo o desenvolvimento das plantas. A retenção de calor ocorre porque o vidro, ou material semelhante, impede sua saída. É praticamente o mesmo que ocorre quando entramos num veículo estacionado há horas embaixo do sol. Ele fica quente e abafado internamente porque atuou como uma estufa.

Já na grande estufa que é o nosso planeta, são os GEE que protagonizam o papel do vidro. Gases como o gás carbônico (CO2), o metano (CH4) e o vapor d'água (H2O) formam uma espécie de cortina de gás, que vai da superfície da Terra em direção ao espaço e impedem que a energia do Sol absorvida pela Terra durante o dia seja emitida de volta para o espaço. Assim, parte do calor fica retida nas proximidades da superfície - onde o ar é mais denso - , o que faz com que a temperatura média do nosso planeta possibilite a existência de água em estado líquido e vida.

Na nossa sociedade atual, o aumento populacional, a industrialização e a urbanização, desmatamentos e queimadas, produção em largas escalas, desperdício e pouca durabilidade dos produtos, entre diversos outros fatores que se encontram interligados num modelo de desenvolvimento agressivo ao meio ambiente, são considerados responsáveis por uma crescente emissão de gases que intensificam o efeito estufa. O gás carbônico corresponde a 53% do total dos GEE, porém, há o gás de metano, que corresponde a cerca de 17%, há também diversos outros gases produzidos pelas atividades humanas que contribuem com o efeito estufa. Entre outros, destacam-se os clorofluorcarbonetos (CFCs) e o óxido nitroso, com cerca de 12% e 6% da concentração, respectivamente.

O aumento da temperatura, aliado à intensa queima de combustíveis fósseis desde a Primeira Revolução Industrial, gerou grande alarde nas últimas décadas. E por conta disso, a ONU e diversos países organizaram conferências para discutir e encaminhar medidas, focando-se na diminuição da emissão de gases por parte das nações. O Protocolo de Quioto foi firmado com essa finalidade na Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas de 1997. Esse acordo gerou – e gera – tensões, já que alguns países, como os EUA, não aceitaram bem a meta de redução alegando que isso frearia seu desenvolvimento econômico.

Com o intuito de fortalecer os estudos científicos, desde 1988 existe o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), onde são elaboradas pesquisas sobre as causas e efeitos do aquecimento global. A tese do IPCC é de que a elevação térmica das últimas décadas é mesmo ocasionada por fatores antrópicos.
Mas não são todos que pensam assim. Há quem acredite e defenda com afinco a tese de que o aumento das temperaturas no planeta possuem outra justificativa. Os cientistas céticos quanto ao aquecimento global alegam que o planeta passa por ciclos de calor e frio, derrubando a culpa da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera provocados por ação humana. O cientista americano Don Easterbrook, da Western Washington University, afirma que esses ciclos têm duração média de 30 anos, e que, no momento em que vivemos, ao contrário do que se pensa, estamos passando por uma fase de esfriamento, iniciada em idos de 2000.

O pesquisador, que analisa amostras de gelo da Groenlândia, garante que a Terra passou por 40 ciclos de calor e frio nos últimos 500 anos e que a alta da temperatura média atual (entre 0,7 e 0,8 graus em relação ao século passado) é extremamente menor do que em diversas ocasiões desde a última Era do Gelo, quando as elevações marcaram 15ºC.

Para ele, é impossível culpar a emissão de gases como o dióxido de carbono como responsáveis pelo aumento das temperaturas: “Basta ver que a partir dos anos 40, quando as emissões tiveram uma forte alta, a temperatura média da Terra caiu durante 30 anos enquanto a concentração de CO2 na atmosfera aumentava. Só a partir dos anos 70 a temperatura começou a subir e, mesmo assim, décimos de grau, o que não tem nenhuma relevância estatística”, disse em entrevista a O Globo, em 2012.

Outro fator humano, o desmatamento, é desacreditado pelo professor de climatologia da USP, Ricardo Augusto Felicio. Ele defende que pode acontecer um aumento da temperatura, mas por curto período de tempo e apenas no lugar do ocorrido, nada a nível global; e que a vegetação, se abandonado o local, em menos de um mês, aparecerá nova vegetação rasteira.

O professor, um dos poucos que pensam dessa forma no país, critica a organização de eventos para o controle do aquecimento global, como o RIO+20 e o ECO 92. Para ele, não passam de “carnavais fora de época”, onde são discutidos negócios, além de criação de novos impostos, formando um regime “‘eco-imperialista’ ou eco-totalitarista’”.

Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris em junho. (Foto: Spencer Platt/Getty Images)
Donald Trump sempre mostrou que considera o aquecimento global uma farsa e, desde o início de seu mandato, dizia que tiraria os Estados Unidos do Acordo de Paris, assinado em 2015 durante a COP 21, cúpula da ONU que prevê que os países devem trabalhar para que o aquecimento fique em até 1,5ºC em relação ao tempo pré-industrial. O feito concretizou-se no início de junho. O presidente republicano disse que o documento trazia desvantagens ao país para de beneficiar outros. A saída dos EUA, segundo maior produtor de gás de efeito estufa no mundo, pode colocar em risco a efetividade do acordo, o primeiro em que os 195 países da ONU se comprometeram em diminuir suas emissões.

Por Leandro Carneiro e Luiza Rodrigues
 
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