Menu Topo

Genderless: Tendência passageira ou modo de vida?


Muito se discute questões de gênero em debates atuais, mas o que é o gênero? Seguindo um conceito bem simples de Raewyn Connel e Rebecca Pearse, retirado do livro Gênero – Uma Perspectiva Global, “de maneira geral, gênero diz respeito ao jeito com que as sociedades humanas lidam com os corpos humanos e sua continuidade e com as consequências desse ‘lidar’ para nossas vidas pessoais e nosso destino coletivo”.

Diferente do que muitos pensam gênero não está ligado à sexualidade. São questões relacionadas, mas são diferentes por esta se tratar de como você se enxerga, seu corpo, independente da sua orientação sexual.

Sendo assim, a moda traz uma reflexão sobre o gênero, o que é dito como roupas e cores femininas e masculinas, abrangendo um novo olhar sobre essa questão que parece polêmica, mas deveria ser algo bem simples de se entender e conviver.


Coco Chanel revolucionou o mundo da moda nos anos 1920, libertando as mulheres dos espartilhos apertados e saias volumosas e inserindo em seus armários ternos, calças e roupas que antes eram apenas usadas por homens. Enxergando muito além de seu tempo, em um clima pós-guerra, deu inspiração a milhares de artistas e designers que seguiram os seus caminhos dali em diante. 

Grandes marcas como Louis Vuitton, que em 2016 fez uma campanha com o modelo e ator Jaden Smith, filho de Will Smith, levantaram diversos debates nesse cenário: o que é roupa de homem e o que é roupa de mulher? Dezenas de outras marcas famosas, como a Gucci, Armani e Prada também entraram na onda do genderless, e apostaram em desfiles com modelos transgêneros, usando roupas que eram difíceis de identificar se eram “de homem” ou “de mulher”. 

No Brasil, uma campanha que chamou bastante atenção foi a da C&A. Com o tema “Misture, ouse, divirta-se”, modelos seminus corriam e vestiam roupas, independentes se eram masculinas ou femininas. Essa campanha causou bastante discussão, seja por parte de pessoas que enxergam essas mudanças de forma positiva, quanto de pessoas mais conservadoras que dizem que essas questões são “erradas”.

Kaique Hermínio tem 21 anos e é estudante de Pedagogia na UFJF, e usa roupas masculinas e femininas, numa mistura fashion, que torna suas roupas únicas. Apesar de sua militância e desconstrução, no início não foi tão fácil assim: “Sempre sofri muito preconceito por isso. A sociedade brasileira não está preparada para entender que roupa é simplesmente roupa, não dá pra ficar classificando roupas como de mulher ou de homem. Usa quem quer a peça que quiser” – desabafa.

Muitos dos que escolhem essa desconstrução de gênero também sofrem preconceito em casa, por diversas vezes a tendência começar desde a infância em querer usar roupas consideradas de meninas. “Meus pais me castigavam quando viam eu experimentar alguma roupa considerada feminina, já fiquei de castigo algumas vezes quando pequeno por conta disso, mas hoje em dia as coisas estão mais tranquilas e depois de muito diálogo minha mãe já consegue desconstruir esses conceitos de binarismo de gênero (classificação do sexo em duas formas distintas, homem e mulher)”. 

Existem muitos artistas que levam a representação do agênero (a quebra dos padrões do que é considerado coisa de homem e de mulher) consigo, e criam um cenário de maior visibilidade para esse conceito, e essa nova fase tanto da moda, quanto do mundo. Mas já nos anos 1980, David Bowie e Prince já apostavam em visuais que transcendiam o gênero. 
No Brasil, artistas como Ney Matogrosso, Liniker, Jaloo, Johnny Hooker e muitos outros intérpretes do MPB e do mundo da moda, levam muito bem essa representação do agênero em todos os lugares onde passam. 

“Acho que todos nós temos referências, eu tenho sim algumas referências, porém, não acho que tenham sido elas as responsáveis por essa atitude minha. Acho que essas referências tiveram um papel na exteriorização pública disso... querendo ou não, com essa mídia e exposição de várias pessoas que de forma política ou não tentam romper com esses padrões nos diversos espaços, os olhos da sociedade passam a normalizar mais essas questões” conta Kaique. 

A moda se renova a cada momento e traz tendências, que cada vez mais, chegam como formas de manifestação. Além de um simples vestir, moda também é comunicação, identificação e seu modo de se impor no mundo para trazer o novo e transformar a sociedade.

Postar um comentário

 
Copyright © Estúdio FACOM. Designed by OddThemes & VineThemes