Um grande dilema que está
constantemente em debate no mundo jornalístico é qual parte da função tem maior
importância: a teoria ou a prática? Como proposta para tentar desvendar essa
questão, conversamos com dois profissionais formados na área e que atuam em
funções diferentes dentro do jornalismo.
A primeira entrevistada é
a jornalista Larissa Zimmermann, formada em jornalismo pelo Centro de Ensino
Superior (CES JF), atualmente é editora e apresentadora na empresa TV
Integração - Afiliada Globo. Para Larissa a teoria é importante, pois embasa o
cotidiano de um jornalista, mas é na prática onde a pessoa aprende o que não é
ensinado por nenhuma teoria. A pressa para fechar as matérias antes do deadline,
os contatos difíceis de conseguir, tudo isso, para ela, é aprendido somente na
prática.
A apresentadora afirma
que a teoria da Agenda Setting é a mais utilizada no cotidiano do contexto
televisivo. É de extrema importância que uma emissora saiba o que as outras
estão divulgando e a forma como estão abordando os assuntos em pauta. “Nós
temos uma televisão que fica ligada na Globo News para nos manter informados
das pautas”, afirma Larissa. A teoria organizacional e gnóstica também foram
citadas por ela, sendo frequentemente utilizadas no meio profissional.
Colocada de maneira
enfatizada pela jornalista, a imparcialidade é algo de extrema importância para
seu dia a dia, pois, de acordo com ela, não pode deixar que sua opinião
transpareça em momento algum da apresentação dos telejornais. Finalizando a
entrevista, Larissa ressaltou alguns nomes que a inspiraram para chegar onde
está hoje, como Marcos Uchoa e Lilian Telles.
O segundo
entrevistado foi o assessor de imprensa Rivelino Alves que atualmente trabalha
na Prefeitura Municipal de Juiz de Fora como assessor de um vereador. Formado
pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Rivelino defende que prática e
teoria andam juntas. Por mais que a prática durante vinte e quatro anos de experiência
no ramo fale mais alto, ele garante que a teoria aprendida da faculdade foi
base para sua entrada no mercado de trabalho: "As duas coisas andam juntas
e não tem como dizer que uma é mais importante que a outra".
Por maior importância que
a teoria tenha em sua trajetória, Rivelino não aplica nenhuma específica em sua
área, mas deixa claro que tenta adotar tudo o que aprendeu de acordo com a
necessidade e objetivo do trabalho, especialmente o princípio fundamental do
jornalismo que é o compromisso com a verdade. Ele assume que a assessoria é
vista como uma vertente tendenciosa e mentirosa do jornalismo, mas que em sua
vivência a verdade é a parte fundamental. "A melhor forma de se responder
a uma situação de crise, por exemplo, é trabalhando com a verdade, sempre”.
Para o assessor, a mídia
e a imprensa deixam a desejar nesse sentido. Ao colocarmos em questão a
possibilidade de aplicação da Teoria do Espelho nos dias de hoje, Rivelino diz
que a mídia prioriza alguns aspectos da realidade com base no lucro, no retorno
e que um grande exemplo disso nos dias de hoje é a exploração do dantesco, do
diferente e principalmente da violência. "eu acho bastante questionável
isso de que a mídia é o reflexo da realidade; é reflexo daquela realidade que a
interessa".
Em termos cronológicos,
Rivelino admite que os vinte e quatro anos de prática já o afastaram das
teorias passadas na academia e diz que na prática em si é difícil ver a
aplicação das mesmas. " Eu tento da melhor forma possível me adequar a
essa realidade moderna e trabalhar com a objetividade, sempre", garante.
Com base na entrevista de ambos os profissionais de
diferentes áreas do jornalismo, concluimos que tanto a teoria quanto a
prática são de extrema importância para o cotidiano profissional. A teoria
baseia o raciocínio, mas muitas ações são aprendidas somente na prática das
redações.
Larissa Zimmermann nos estúdios do MGTV
Rivelino Alves
Por Francine Cardoso, Juliane Evelyn e Thatyana Benetello.




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