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Documentário retrata o último suspiro de mais um cinema de rua: O Cinearte Palace



Na última sexta-feira (10), foi apresentado no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM), o documentário “O último cinema: Vestígios de uma memória audiovisual”, de Adriano Medeiros e Wilton Araújo. A obra relata os últimos momentos do Cinearte Palace e apresenta uma narrativa por meio de relatos de frequentadores e funcionários do cinema.

Quatorze de junho de 2017. Essa foi a data que o Cinearte Palace se despediu dos seus amantes - de forma contraditória. O lugar que proporcionou a construção de diversas histórias, estava ali, dando adeus, diante da interrupção da sua. Junto ao último suspiro do Palace, certamente muitas (histórias) vieram à cabeça daqueles que estavam presentes naquele momento. O fim remeteu o pensamento ao começou. Ao começo das amizades, dos romances, das felicidades e de todas as histórias que foram vividas diante daquelas telas.

Nesse 14 de junho, o amante do Cinearte Palace ficou diante de algo atípico. Acostumados com todos os “nascer”, “surgir”, “viver” que aquele local proporcionou, enxergaram naquele dia, o seu fim. A sua morte – física. A memória ainda existe, e essa, felizmente, não há como destruir com pancadas, furadeiras e martelos.

Na última sexta-feira, no Museu de Arte Murilo Mendes foi possível notar a presença dessas memórias. Além do documentário, as pessoas presentes puderam dar os seus depoimentos sobre os cinemas de rua e comentar sobre o que o Palace proporcionou em suas vidas.

“Proporcionou”. Para aqueles que frequentaram o Palace, triste passou a ser conjugar esse e outros verbos no pretérito, e não mais no presente – como foi durante toda a vida. Numa visão mais ampliada, o Cinearte Palace se juntou aos outros cinemas de rua de Juiz de Fora, que hoje, ainda sobrevivem, porém, todos por meio da mesma maneira: através da memória.

Cineasta e professor de Comunicação Social da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Adriano, comenta que esse tipo de produção faz com que haja um cruzamento da memória individual com a memória coletiva. Além de contribuir para que as futuras gerações impeçam que essas destruições se reproduzam.

“É necessário que as crianças e os jovens possam reconhecer a importância que cada um dos meios culturais e artísticos tem na sua formação”. De acordo com o professor, é importante que se tenha uma reflexão e manifestação diante de acontecimentos como o do Cinearte Palace, para haver uma reinvindicação que cobre o lugar desses meios culturais.

Pessoas se mobilizaram contra o fim do Cinearte Palace (Foto: Divulgação)
“A todo momento você via pancada e furadeira. Aquele espaço estava sendo agredido, como um animal acuado, sem defesa”. Assim definiu Wilton Araújo. O cineasta registrou os momentos em que as salas compostas por diversas cadeiras, deu lugar ao vazio. Salas que já promoveram risos, emoções, sustos e alegrias estavam tomadas pelo vazio e barulhos de destruição - que posteriormente deram lugar ao silêncio.

Segundo Wilton, apesar de todo o carinho que tem pelo local, no momento da gravação o sentimento tem que ser preservado. “O lado profissional acaba tendo que prevalecer. Diante da situação era preciso captar as imagens e pensar em como contar a história”, declarou o cineasta.

As imagens do documentário mostram o Palace em suas semanas finais – meses de maio e junho. Com o anúncio do fechamento, a dupla teve apenas um mês para gravar, e a produção precisou ganhar ainda mais ritmo, o que fez com que os cineastas abrissem mão de incentivos culturais. Adriano e Wilton utilizaram-se dos próprios recursos para a elaboração da obra.

O Cinearte Palace era o último cinema de rua de Juiz de Fora. Para ter acesso ao DVD do documentário que registra as imagens e relatos dos frequentadores, basta entrar em contato com os realizadores: Adriano Medeiros e Wilton Araújo.

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