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O corpo inteligente

Inteligência, segundo o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, é a faculdade ou capacidade de aprender, apreender, compreender ou adaptar-se facilmente. Portanto, comumente, quando se fala em inteligência, tendemos a pensar em pessoas com capacidades linguísticas e matemáticas elevadas ou intelectuais destacados como Freud e Einstein.

O psicólogo cognitivo e educacional americano Howard Gardner superou esse entendimento a partir de seu estudo sobre as inteligências múltiplas. O pesquisador contextualizou, inicialmente, sete e depois chegou a nove tipos de inteligência, dentre elas a inteligência corporal-cinestésica. Este tipo de inteligência, de acordo com Gardner, é a capacidade de utilizar-se do corpo com grande precisão, controlando-o e manipulando-o de forma a resolver problemas ou produzir conceitos, ideias e objetos. Artesãos, atores, dançarinos, atletas e até mesmo cirurgiões são exemplos de profissionais que utilizam desse tipo de inteligência para realizar suas atividades.

O corpo fala


O corpo é de extrema importância para as pessoas que realizam determinado tipo de atividade, pois é como um "instrumento" (o corpo) para que suas artes sejam possíveis. Victor Dousseau é jornalista e ator do Grupo Divulgação, coletivo de ensino, pesquisa e extensão em artes cênicas atuante junto à UFJF. Victor, que, entre outros papeis, interpretou Romeu, na recente adaptação do clássico de William Shakespeare, classifica o corpo para o ator como fundamental: “Quando você vai pensar numa personagem, você pensa em todos os detalhes que ela precisa ter; por exemplo, a questão da fala: que tipo de voz essa personagem tem? Como é o andar dessa personagem? Como ela respira? Então, isso tudo, por mais que o público nem perceba, está embutido na criação”. Gestos, olhares, postura, tudo isso comunica; é o que diz o livro de Pierre Weil e Roland Tompakow, "O Corpo Fala", de 1986. Victor comenta que essa linguagem que o corpo tem é essencial para que o público conheça as personagens no teatro: “Isso ajuda muito no sentido de fazer com que o público perceba quem é aquela personagem, porque ele respira daquele jeito, porque ele anda daquela maneira e porque ele está falando aquele texto. Muitas vezes você pode até não ter nenhum tipo de fala, mas estar em cena e seu corpo dizer muito: o seu rosto, um gesto que você faz com a mão, enfim, isso pode te ajudar bastante”.

De corpo e alma

Os que possuem as inteligências corporais-sinestésicas acentuadas têm de tomar muito cuidado com o principal instrumento de trabalho. Dousseau afirma que todo cuidado com ele é pouco:  “Você tem que tomar cuidado para não sentir nenhum tipo de dor, dormir bem... Você tem que cuidar de tudo, porque o corpo é o instrumento de trabalho do ator”.

Expressão (corp)oral


Engana-se quem pensa que para o exercício da comunicação basta uma boa capacidade oral. Márcia Falabella é atriz e professora da Faculdade de Comunicação da UFJF (MG), onde ministra a disciplina Comunicação e Expressão Oral. Ela não só é procurada por alunos do curso, mas também por discentes de outras faculdades e até alunos estrangeiros. A disciplina ministrada por ela busca desenvolver o potencial dos alunos por meio da fala e da expressão corporal, o que Marcinha (como é carinhosamente conhecida e chamada por todos) considera a visibilidade daquilo de somos: “O corpo é onde o que pensamos e sentimos se manifesta. Eu sempre digo que se a fala é música, o corpo dança com ela. As pessoas têm que ter consciência disso e usar os recursos corporais para conseguir melhor expressividade e comunicabilidade”. A professora lamenta que apesar da importância, muitas pessoas têm resistência a isso.

Marcinha, é também uma das principais atrizes do Grupo Divulgação: considera o teatro perfeito para melhorar a comunicação corporal: “Em cena ou nos exercícios de improviso e interpretação, o corpo do ator está presente em plenitude. Mas qualquer atividade física é bem vinda, sobretudo, dança, capoeira, yoga etc, para que as pessoas tenham maior consciência do seu próprio corpo".

Fotos: Jesualdo Castro/Grupo Divulgação

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