Um grande problema que ainda atinge toda a população brasileira é a educação. Infelizmente, essa continua sendo uma área precária e que necessita de melhorias. Cada vez mais, professores e os educadores no geral enfrentam desafios que vão além do âmbito escolar, influenciando e dificultando a forma de ensino.
Além dos desafios enfrentados diariamente pelos professores, a questão salarial também é um fator desmotivador para muitos profissionais da área. O desconhecimento da importância do educador ainda é muito grande e, todos esses problemas acarretam em uma educação escassa.
As limitações
Segundo o professor de Biologia, Écio Franco, há uma série de limitações que influenciam diretamente no desempenho do profissional. Ele cita alguns pontos negativos, como os baixos salários, a sobrecarga de trabalho e uma sociedade sem valores morais. O professor que está na área da educação há 30 anos, diz que é necessário que alunos e familiares tenham uma formação no campo afetivo e educacional.
Uma questão bem atual que muitas vezes atrapalha o desempenho dos profissionais, é o uso indevido de aparelhos eletrônicos por parte dos alunos. De acordo com a professora de História, Marilene Ribeiro, esse é mais um desafio. “Além de toda essa questão de desvalorização, problemas de disciplina, violências físicas e verbais, nos dias atuais é comum o uso de celular e fones durante a aula”, relatou.
Para Marilene, é comum ver alunos desinteressados e que enxergam a escola apenas como um lugar de encontro, não havendo, portanto, foco nos estudos. “É normal ver alunos que não enxergam a escola um local de oportunidade e de investimento em si mesmo. E dentro dessas limitações, é comum que nós, professores, nos deparamos com estrutura material precária e a falta de material humano também."
O exercício além da profissão
Diante do atual cenário, passou a ser comum esperar dos professores várias funções que vão além da sua área de formação. Ou seja, os educadores acabam tendo mais responsabilidades do que aquelas que são propostas de fato na profissão. Para Écio, com todos os fatores que são encontrados, o professor passa a ter que apresentar uma visão dentro da psicologia também, para que possa interferir em alguns aspectos.
Marilene acredita que muitas das questões que são vivenciadas nas escolas vão além do ofício. “Na maioria das vezes os casos requerem a participação de outros personagens. Ás vezes é preciso do envolvimento das famílias, de um assistente social, um neurologista ou psicólogo”, disse a professora.
Ela relara já ter trabalhado com alunos que não são alfabetizados e que precisariam do acompanhamento de outros profissionais e laudo médico. De acordo com a professora, isso na maioria das vezes não acontece. “Infelizmente é preciso que apenas nós mesmos tenhamos que ajudar, mas sem capacidade, sem recursos necessários, porque vai além da nossa formação”, completou.
A violência
Fora as dificuldades de trabalho, os profissionais da educação muitas vezes acabam encarando uma questão que está ficando ainda mais constante: a violência. Seja física ou verbal, é raro encontrar um professor que nunca tenha vivenciado alguma atitude violenta.
Ameaças e agressões físicas diretas, Marilene diz nunca ter sofrido, mas que sabe de vários colegas que já foram vítimas. Quanto a agressão verbal, a professora diz ser uma constante. “Os alunos hoje, com raríssimas exceções, não aceitam que chamem a atenção. Então, acabo escutando muitas coisas desagradáveis e desrespeitosas”, comentou.
Segundo Écio, mesmo que durante sua trajetória ainda não tenha sofrido nenhuma violência física, elas são frequentes e refletem da sociedade. “Tem que ser levado em conta os lugares e tudo aquilo que cerca o jovem fora do ambiente escolar. O problema vai muito mais além da escola”, disse o professor, que salienta também sobre as questões políticas. “Isso é construído por quem tem poder econômico e político. A medida que não dão a importância necessária tanto para saúde, quanto para a educação, roubam os direitos de diversas pessoas, e, consequentemente, acontece o que vemos hoje”, completou.
Marilene conta que diariamente se observa a intolerância dos alunos e das pessoas da comunidade escolar. Com isso, existem casos de crianças que já convivem com a hostilidade. “Já vi alunos do início do fundamental, terem uma vivência de adulto. Possuem um corpo, uma idade de criança, mas já sabem da logística de tráfico, modelos de arma e relata violências que acontecem no bairro e na família. Ou seja, é uma criança com outros tipos de vivência, que eu costumo chamar de ‘infância roubada’”, declarou.
Melhorias
Diante do atual cenário, existem vários fatores que devem ser melhorados. Para que haja uma melhora dentro do ambiente escolar, é preciso, primeiramente, que tenha evoluções fora dele. Para Écio, é essencial saber e viver política, visto que a educação não muda a sociedade, mas sim a política, uma vez que essa está sob o efeito da outra.
De acordo com Marilene, é essencial políticas públicas que promovam de forma efetiva uma educação de qualidade, para que essa não fique apenas no papel com coisas que estejam distantes da nossa realidade. “É necessário mudar a maneira de pensar. Hoje é possível perceber que muitos alunos, por exemplos, encaram o ambiente escolar como um ponto de encontro. Tem que analisar e perceber o papel real do aluno, e o que representa uma escola nos dias de hoje."
A professora acredita que o ideal seria o aluno não enxergar a escola como uma prisão, mas como uma oportunidade e de investimento na vida intelectual. “A escola é que da base para o restante da vida estudantil e profissional. Então, frequentar a escola, não é simplesmente ir lá para conversar, e é isso que acontece. Infelizmente, com todos os problemas que refletem no âmbito escolar, os alunos não sabem tirar o melhor da escola”, completou.


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