Facebook e “Fake News”
As chamadas “Fake News” ganham proporções inimagináveis pelo Facebook. A rede possui milhões de usuários em todo o mundo. O compartilhamento de notícias falsas na rede social ocorre diariamente, atingindo em poucos minutos, um número expressivo de pessoas. Recentemente, os resultados das eleições norte-americanas foram taxadas como fruto do novo conceito, e as redes sociais acusadas de influenciar no resultado eleitoral.
Estudante do 7° período de Jornalismo, Franco Ribeiro, diz que, com a dinâmica das redes sociais, cada indivíduo passou a ser um emissor em potencial e, isso gera algumas consequências em relação às falsas notícias. “Podemos observar pessoas comentando e compartilhando notícias de páginas com pouca ou nenhuma credibilidade a fim de defender os políticos de seu agrado ou denegrir a imagem daqueles que possuem uma ideologia contrária”, destaca.
Para Franco, é possível que haja influências em qualquer tipo de processo envolvendo população numerosa, até mesmo eleições. “Não sei dizer de fato se isso ocorreu nos EUA, mas creio que falsas notícias podem influenciar, em grande dimensão e, infelizmente uma mentira repetida diversas vezes torna-se verdade”. Por isso, garante o futuro jornalista - é importante que as organizações comecem o combate às notícias falsas.
O professor e jornalista Carlos Pernisa, responsável pela disciplina de Mídias Digitais, no curso de Jornalismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF/MG), comenta que, com os novos meios, a produção de material noticioso não está somente nas mãos de jornalistas, e a tendência acaba sendo o aumento significativo de boatos e notícias falsas.
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| Professor Carlos Pernisa comenta o fenômeno atual das fake news |
Para o pesquisador, é viável que haja influência em resultados eleitorais. “É possível que exista a influência de sites em resultados, ainda mais, se a população se informar principalmente por eles. Com os algoritmos de muitos desses sites, isso pode até mesmo levar a um maior poder do que está sendo chamado de Pós-Verdade. Os usuários ficam reféns de suas próprias escolhas, não podendo ver claramente o que é diferente do que ele acredita”, comenta Pernisa.
Era da Pós-Verdade?
De acordo com Pernisa, ainda não é provável afirmar que estamos de fato vivendo na era da Pós Verdade. Mas, não há como negar que existem indícios de que muitas pessoas estão querendo acreditar naquilo que elas acham que seja o correto e, não nas evidências que são passadas, diz ele.
O professor cita como exemplos os eleitores de Donald Trump nos EUA e suas participações em programas, por exemplo, do Comedy Central. Segundo Pernisa, vários deles foram questionados sobre suas próprias atitudes e as do então candidato republicano à presidência dos EUA. “Mesmo não podendo admitir que o que defendiam era inaceitável, nenhum deles parecia querer reconhecer que várias de suas posições e de seu candidato soavam absurdas ou sem sentido. O resultado das eleições parece mostrar que uma parcela do eleitorado de Trump não sabia exatamente porque estava a favor dele e de suas propostas, mesmo assim, não mudou o seu voto”, afirma o professor.
A não consciência do voto, para ele, não significa que o resultado da eleição pode ser algo definido como “pós-verdade”. “Um exemplo foi dado por Michael Moore, cineasta norte-americano. Ele disse que vários eleitores de Trump estavam em estados tradicionalmente democratas, mas que não tiveram a atenção de Obama e foram relegados a grandes espaços de decadência econômica. O detalhe, segundo o professor, é que Moore foi um dos que previram a eleição de Trump, baseando-se exatamente nestes fatores.
Consequências e prejuízos
Transformações dos meios tecnológicos e a velocidade com que as informações são passadas por plataformas diferenciadas dão suporte ao jornalismo e a cidadãos que criam hoje seus próprios conteúdos. No entanto, com toda a facilidade que as redes apresentam podem surgir consequências negativas – para o jornalismo e a sociedade.
Segundo Pernisa, o problema é grave e não deve ser deixado de lado. “Se as notícias falsas continuarem a se propagar e muitas pessoas acreditarem nelas sem questionar, isso pode levar a sérias consequências na sociedade, pois não haverá mais motivos para desconfiar de uma série de fatos, apenas porque boa parcela da audiência optou por crer que aquilo é o melhor para elas como informação”.
Para o jornalista, as notícias falsas sempre existiram, visto que muitos jornais respeitáveis já noticiaram histórias que se mostraram, depois, falsas ou que não eram exatamente o que havia sido informado. “As notícias falsas sempre existiram. Hoje, com a existência das redes, a circulação é mais rápida e possibilita um maior alcance”, diz Pernisa.
Outro problema que passou a ser comum pela circulação rápida das informações tem a ver com a carência de checagem e apuração dos fatos. Pernisa acredita que é o maior problema, visto que em rede, é difícil perceber quem publicou antes uma determinada matéria. “Não diria que a busca pelo furo é maior hoje do que em outras épocas, mas, com certeza há uma pressa em divulgar um fato. Assim, surgem problemas como a falta de confirmação de informações e, nesse aspecto, atualmente, há um sério problema no ambiente jornalístico em geral, com vários erros sendo cometidos, muitas vezes até sem a sua correção posteriormente.”




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