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Ensino criativo: será possível?

O século XX, marcado pelas inovações tecnológicas, permite mais do que nunca o acesso à informação de forma rápida e abundante. Tal rapidez influência de fora direta na sala de aula das escolas de todo o mundo. No caso brasileiro, onde o modelo de ensino é o mesmo desde que a Companhia de Jesus pisou em terras Latinas, salvo algumas mudanças, o professor precisa utilizar da criatividade para tornar a tecnologia um fator favorável ao ensino.   

A globalização tem como compromisso dar voz a todos nos mais variados ambitos sociais e na escola não seria diferente. Por isso, como afirma Ronaldo Mota, professor emérito da Universidade Federal de Santa Maria, “o atual sistema educacional é obsoleto e um novo modelo só se erguerá se docentes e instituições ouvirem as lições de um ator: o aluno”.

Criatividade e educação

Para Ronaldo, o sistema não tem outra opção: “é mudar ou morrer”. No entanto, devido à demora que uma grande mudança nas formas de ensino exige muitos professores procuram no convívio diário com os alunos passar o conteúdo em uma linguagem mais atual. 

Através de jogos, dinâmicas e recursos de multimídia, professores como Marcos Levi, que leciona história no Colégio de Aplicação da Universidade Católica de Petrópolis, conquistam os alunos. Uma de suas aulas mais famosas entre os alunos diz respeito ao Muro de Berlim, que é materializado no meio da sala. “Os alunos têm desejo de movimento e interação, o Muro possibilita isso, e de uma forma que é uma grande novidade, como o Muro permanece por longo período, eles acabam se sentindo parte daquilo, que é um dos objetivos do projeto”. 

A utilização de métodos diferentes dos tradicionais (professor, quadro e giz) gera estranhamento a alguns e logo traz à tona a pergunta: mas o desempenho do aluno em relação às notas? Para Marcos, há uma melhora considerável, no entanto, o professor ressalta que “a escola não se resume a desempenho, há também a consciência, a formação dela, conhecimento clássico pode ser adquirido em livros, a empatia e a vivência não são assimiláveis em livros tão facilmente, para alguns o sensorial faz mais diferença, e essas outras alternativas como o Muro possibilitam”.

Além do Muro de Berlim, Marcos já desenvolveu jogos de RPG, livros-jogos, quiz interativo, oficinas de quadrinhos e de maquetes, Olimpíadas Medievais, jogos de tabuleiro e fez uso de dinâmicas. Mas para isso precisou de muita criatividade, o que para alguns professores pode ser bem difícil. Entretanto, Marcos esclarece que o processo de criação é também um momento de aprendizagem no qual as ideias vão surgindo aos poucos.  

“O primeiro passo é perceber o quanto eu sei sobre o tema, depois eu organizo sistematicamente quais são os objetivos, diante disso eu procuro aproximar os objetivos de uma prática cotidiana minha, para que eu domine a forma como será apresentado e depois na prática deles, aquilo que faz parte do mundo deles, é preciso fazer ligação entre o mundo e o conhecimento”, explica Marcos. 

Ferramentas de auxílio 

Essa temática já vem sendo objeto de estudo no meio acadêmico há algum tempo e já vem produzindo ferramentas para o auxílio de professores nas salas de aula. Como o Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física, que tem como requisito para a formação o desenvolvimento de um projeto que procura melhorar o ensino de física nos colégios. Com isso são desenvolvidos jogos, metodologias e programas que ficam disponíveis no site para o auxílio dos professores. 

Um exemplo de projeto foi o desenvolvido pelo mestrando da Universidade Federal de Juiz de Fora, Plaudio Evangelista, que analisou os principais livros didáticos de física utilizados no Brasil e reescreveu os experimentos mais utilizados com o intuito de torna-los mais investigativos. A dissertação recebeu orientação do professor Paulo Menezes que disse ser o projeto “muito importante para o despertar cientifico do aluno. Os experimentos hoje são usados para comprovar a teoria, nós o reescrevemos com o intuito de descobrir a teoria, assim o processo se torna mais importante que o resultado”.   

Por: Vicente Alves

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