Em tempos de crise, cortes de gastos são medidas comumente adotadas por pessoas e empresas. Por conta da redução nas vendas de produtos ou com a dificuldade na prestação de determinados serviços, as demissões tornam-se realidade para muitos trabalhadores. Em função disso, o empreendedorismo surge como alternativa para uma retomada de renda com a criação do próprio negócio.
Um desses casos é do casal Jucélia e Marcelo Vieira. Ela era dona de uma confecção e ele, caminhoneiro. A confecção contava com 10 funcionárias e não estava mais gerando capital suficiente para dar conta das despesas. O caminhão gerava gastos excessivos com manutenção e combustível. Foi assim, diante das dificuldades, que o casal viu no espaço em que funcionava o antigo negócio, um local para a construção de um restaurante. “O imóvel é nosso. Tinha espaço suficiente para distribuir as mesas. Também já tínhamos banheiros e uma cozinha grande”, justifica Jucélia.
Adaptar, sempre!
Como o espaço físico não era suficiente foi necessário adquirir diversos utensílios para a adaptação do que eles pretendiam. Mas havia um problema: o dinheiro era pouco. O que fez com que o casal vendesse quase tudo o que tinha: Jucélia diz que se desfez de todas as máquinas, o marido negociou o caminhão e o carro. Tiveram também que reutilizar alguns objetos que possuíam. Ela conta que uma grande mesa de corte foi transformada em outras, menores, e as cadeiras das costureiras passaram a ser utilizadas no salão. “Alguns armários estão agora na cozinha guardando mantimentos - explica Marcelo - e como as mesas do restaurante não cabem nos limites do salão, a garagem, a varanda e a sala de estar transformaram-se em ambientes do estabelecimento. Os sofás da sala são um diferencial. Estão sempre ocupados por muitos fregueses que os utilizam para os mais diversos fins”.
Quando questionada sobre o porquê de abrir o estabelecimento, Jucélia aponta para uma constatação: “Eu vendia camisas femininas e as vendas estavam em baixa. As pessoas podem deixar de comprar roupas ou escolher roupas mais em conta. Mas as pessoas não podem deixar de comer. Então, como eu já gostava de cozinhar, decidimos”. Hoje ela coordena a cozinha do restaurante.
Ambos garantem que o trabalho é desgastante, mas, ao mesmo tempo, prazeroso. Também são otimistas ao afirmar que a receita é suficiente para o retorno do que foi investido. “O público tem vindo todos os dias. Falam bem da comida e das bebidas”, destaca Marcelo.
Fidelidade com credibilidade
Um outro exemplo é o de Nátalia que trabalhava como atendente de telemarketing e já nesse período fazia doces para complementar a renda. “Eram docinhos para as festas e chá de bebês das amigas. Eu cobrava um preço mais em conta para ajudá-las e cobria parte das minhas despesas”.
Ao ser dispensada do emprego, a venda de doces passou a ser a única fonte de renda. Foi quando ela percebeu que a demanda estava aumentando e decidiu se dedicar integralmente. “A partir daí, investi no negócio. Criei uma página no Facebook, comprei uma máquina de fazer cupcakes, entre outras coisas. Hoje, especificamente atuo na confecção de cupcakes e doces personalizados”, destaca.
Natália atribui a grande procura de seus serviços à fidelidade dos clientes. Garante que eles sabem da qualidade e recorrem quando precisam. Outro fator apontado por ela se relaciona a um segmento em que não existe muita gente especializada.
Atualmente, Natália confecciona seus doces na própria casa, mas não descarta a possibilidade de abrir um negócio. “No momento, não penso e nem tenho condições para isso, mas depende do mercado. Se eu achar que tenho chances de ter sucesso nesse empreendimento não vejo porque não investir e abrir um espaço”, considera Natália.
Mariana Meyer e Leandro Carneiro


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